Foi sem surpresa que o Povo recebeu a notícia do falecimento de Portugal. Sempre pobre durante a sua longuíssima vida (era o mais velho europeu ainda vivo), padeceu de várias doenças crónicas, quase sempre relacionadas com parasitas, e que o levaram várias vezes a comas profundos (1383-85, 1580-1640, 1983-85). Embora tenha saído com galhardia dessas situações de quase morte, a sua saúde manteve-se frágil e não teve forças suficientes para resistir à prologada hemorragia causada pelos golpes infligidos por um alegado engenheiro, de seu nome José Socrates Pinto de Sousa.
Neste momento está em curso um doloroso trabalho de desinfecção, e que consiste em aniquilar todos os micróbios que vivem no cadáver: funcionários públicos, pequenos e médios empresários de todos os ramos de actividade, trabalhadores por conta de outrém, etc. O anti-séptico é cuidadosa, metódica e vigorosamente aplicado pelo sumo sacerdote oficiante das exéquias fúnebres, Pedro Passos Coelho, auxiliado pelos seus acólitos Victor Gaspar e Santos Pereira. Todo o processo é conduzido de forma tão eficiente que dentro de pouco tempo apenas sobrará uma vaga memória de um país devoto de Fátima que gostava de futebol e fado.
Que a sua alma descanse em paz.
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