Que lições se podem extrair daqui? Assim é o Povo. Recua, faz contorcionismo, baixa-se até lhe aparecer o traseiro, para não se chatear. Mas se a crise se torna demasiado pesada, se já não tem nada a perder, se não tem mais por onde fugir, então perde completamente as estribeiras e assalta estabelecimentos e edifícios públicos, incendeia carros, luta com a polícia... Como o Povo de Aljubarrota, dá cabo de tudo o que aparece pela frente. Como se costuma dizer, o Povo é sereno... até um dia! Acreditem! Assim o ensina a História.
Sunday, December 12, 2010
Aljubarrota
Há um pormenor acerca da celebérrima batalha de Aljubarrota que não é lá muito conhecido do grande público. Tem a ver com a disposição, engendrada por D. Nuno Álvares Pereira e D. João I, das tropas que enfrentaram o poderoso exército Castelhano . Toda a gente sabe que tinha a forma de um quadrado; muita gente sabe que as tropas estacionaram entre dois rios, obrigando os Castelhanos a afunilarem a sua enorme vanguarda, não lhes permitindo caír com toda a sua força sobre o minúsculo exército Português; pouca gente sabe que o refinamento estratégico dos dois líderes levou à escolha de terreno em que também existissem obstáculos intransponíveis pela retaguarda. Para evitar um ataque pelas traseiras? De modo nenhum. Para evitar, isso sim, que os soldados de Portugal tivessem por onde fugir. Resultado? Não tiveram outro remédio senão lutar bravamente e matar tudo o que lhes apareceu pela frente.
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