Friday, September 3, 2010

O Povo adora aprender. E tem a noção de que "ler jornais é saber mais". Por isso, o Povo deitou-se à leitura de periódicos. Como acredita que tudo deve ser disfrutado em pequenas doses, o Povo contentou-se com jornais pequeninos, para não apanhar uma indigestão de sabedoria. Folheou "Tribuna das Ilhas", acelerou através de "O Incentivo", passou "ilha maior" em diagonal e botou o olho ao "Jornal do Pico". E o olho arregalou... Na página 3 o Povo descobriu uma síntese de uma entrevista dada por um velhote algo decrépito, de nome Pereira Duarte, à RTPA. Em tom de quem ralha a meninos, esse especialista em Pediatria, provávelmente em segunda meninice, dá largas ao seu azedume perante a possibilidade de abertura de uma maternidade na ilha do Pico. Embora não ligue grande coisa aos acessos de mau-génio gagá do vetusto clínico, o limitado espírito do Povo ficou algo confuso em consequência de alguns odores emanados pela sua diarreia verbal. À custa de muita coçadela de cabeça (para estimular a sua lenta compreensão) o Povo lá conseguiu tirar algumas conclusões:
1º Qualquer director de serviço, só por ser de S. Miguel, é chamado a mostrar a sua eloquência sobre o que se faz (ou não...) nas outras ilhas. Aquela frase "...lá pelo Pico ser a segunda ilha maior e ter problemas, não pode, não deve... mas isso é uma decisão política" é uma amostra exuberante da dita eloquência. O Povo sugere que fechem o Pico, para não atrapalhar.
2º O idoso cavalheiro parece achar normal pagar uns míseros 100 euros à hora a obstetras numa ilha em que a maioria das grávidas são seguidas em consultórios privados, pagando mais alguns euros que dão para comprar luxuosos iates com que se perdem regatas (O Povo gostaria de ver esta matemática explicada, em vez daquela de tantos partos por dia). O que meteria o navio ao fundo seriam os proventos do obstetra e da enfermeira do Pico. Fechem o raio da ilha!...
3º O Povo fica com a impressão que este "grande lider" até fecharia as maternidades já existentes e correria com os incompetentes que por lá vegetam, não vá dar-se o caso de faltarem provisões para os obscenos 100 euros à hora e para os equipamentozinhos que faltam ao Hospital do Divino... Fechem as malditas ilhas!...
4º O Povo tirou uma última e mais agradável conclusão. Este ancião prevê estar em casa quando a discutida maternidade abrir... Aleluia! Afinal, pode ser que ao Pico (e às outras ilhas) ainda reste uma esperança de não fechar. O Povo faz votos sinceros para que tenha uma rápida, feliz e silenciosa aposentação. Amen.

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